sexta-feira, 02 outubro 2020 09:52

Entrevista Daniel Pedro

Leia a nossa entrevista ao capitão da equipa senior masculina do Clube Nacional de Ginástica

Na continuação do nosso ciclo de entrevistas direcionadas para os arranques das primeiras divisões nacionais onde iniciámos com os seniores femininos, segue-se a vez dos homens e começamos por ouvir o capitão do CNG.

O nosso entrevistado é Professor de Educação Física e Coordenador de Desporto no Colégio Marista de Carcavelos, representante de desporto na equipa provincial de desporto Marist, vice-diretor do Clube Desportivo Marista de Carcavelos , Coordenador do Ginásio Clube Exercício e Saúde Marista (CES Marista), já praticou desportos federados como Karaté, Aikido, Ginástica de Trampolins, Ténis e Remo além de praticar Surf há 27 anos como hobbie.

Ele que já conta com 21 épocas de sénior em indoor e representou os clubes da Associação Desportiva Marista, Clube Desportivo Ribeirense dos Açores, Universidade Lusófona, Desportivo da Corunha em Espanha, Clube Voleibol de Oeiras, clube com que participou no campeonato do mundo CSIT na Letónia e Espanha e atualmente representa o Clube Nacional de Ginástica que ajudou a ser campeão da 2ª divisão em 18/19 e a subida ao principal escalão.

Além do indoor é um jogador de praia, habitual presença no quadro principal dos vários campeonatos nacionais e regionais que participou, participou no campeonato ibérico, campeonato universitário de Portugal e Galiza, participou no circuito de voleibol de praia em Espanha, no torneio WEVZA que se realizou na Quarteira e ainda vários torneios abertos nacionais e internacionais, entre eles o Torneio João José, Paredes da Vitória, São Miguel de  Moel, Jogos do Sado, Torneio de Moura, Torneio do VCS, Melides, Torneio de Tarifa e Torneio de Malta.

É também treinador de voleibol de Grau 3 e já atuou como técnico no Instituto Superior Técnico em seniores feminios (Divisão A1, atual 1ª divisão), na Universidade Lusófona em seniores masculinos (1ª divisão universitária), no Clube Voleibol de Oeiras em seniores femininos (Divisão A2, atual 2ª divisão), Grupo Dramático e Sportivo de Cascais em cadetes e seniores femininos (Divisão A2, atual 2ª divisão), atualmente é treinador de voleibol no Clube Desportivo Marista de Carcavelos em minis e cadetes femininos e é treinador adjunto dos seniores masculinos do Clube Nacional de Ginástica.

Quem é?

Daniel Pedro, 39 anos, natural de Lisboa, Zona 4, Capitão e Treinador-Adjunto da Equipa de Seniores Masculinos do Clube Nacional de Ginástica

A época 2019/2020 foi a época de regresso do Clube Nacional de Ginástica ao principal escalão do Voleibol Masculino e o Daniel já estava no plantel, esta será a sua segunda época consecutiva na 1ª divisão mantendo um plantel constituído na sua maioria por jogadores portugueses amadores, como viu a vossa prestação na temporada passada e quais os objetivos para abordar esta nova temporada?

A equipa do ano passado foi constituída praticamente por todos os atletas que foram campeões nacionais da 2ª divisão em 2018/2019. Uma equipa mais experiente e com mais atletas com participações na 1ª divisão. Referente à época passada, a nível de prestação e olhando apenas para os números, não tivemos muito sucesso. No entanto, tendo em conta que era a única equipa amadora da 1ª divisão, onde praticamente todos os jogadores trabalhavam durante o dia e treinavam à noite, considero que dignificamos o nome do Clube e do Concelho. O CNG estar na 1ª divisão sendo uma equipa totalmente amadora representa o verdadeiro gosto pela prática e competição. Demostra também um trabalho de qualidade por parte de todos os treinadores do Clube, tendo como referência o Coordenador e treinador dos séniores masculinos Radoslav Peytchev.
Esta época renovamos praticamente todo o plantel e a equipa é constituída por atletas muito jovens com média de idade de 25 anos.
Uma equipa com uma excelente atitude e com muita “raça”. Todos trabalham arduamente nos treinos e estão atentos aos ensinamentos do nosso líder. Demonstram ter um enorme potencial para continuar a dignificar e representar o nome do Clube e Concelho no escalão mais alto do voleibol Português. Na minha opinião, o objetivo real é a manutenção na 1ª divisão. Se continuarmos com a mesma atitude e entrega sei que é possível superar todos os obstáculos e atingir os nossos objetivos.

A época 2020/2021 será sempre denominada como a época pós pandemia COVID-19 onde começamos com imensos cuidados e regras. Onde já tivemos uma equipa a ter que adiar jogos devido ao número de casos positivos com COVID-19. Como está a equipa do CNG a adaptar-se a esta nova realidade nos treinos e jogos?

Antes de passarmos definitivamente à prática, foi-nos explicado todas as medidas e precauções a termos durante os treinos e jogos. Toda a equipa se comprometeu a cumprir com o estabelecido e ter um comportamento socialmente adequado às circunstâncias. O início dos treinos foi uma adaptação, mas rapidamente superamos e criamos rotinas. Durante os jogos, o protocolo alterou, mas não criam grandes condicionalismos à prática do voleibol. Estamos cientes de todos os condicionalismos que esta pandemia acarreta, mas estamos confiantes que iremos superar todas as dificuldades ao longo do nosso percurso.

No fim de semana passado a época arrancou com uma jornada dupla com duas deslocações (Espinho e Viana) frente a adversários com objetivos diferentes para esta nova temporada. Como correu este arranque com estes dois jogos?

Apesar de termos perdido os dois jogos pela margem máxima (3-0) considero que foi um arranque positivo. Deu para testar algumas opções e analisar quais os sectores que têm que ser potenciados. O jogo de sábado contra o Espinho foi bastante desequilibrado. É uma equipa histórica no nosso voleibol e claramente têm um objetivo bem distinto do nosso. Encontramos uma equipa com uma altura de ataque e bloco bem superior à nossa. O serviço potente do espinho condicionou a nossa maior arma, o side out, juntando à capacidade defensiva adversária. Mesmo assim conseguimos em alguns momentos igualar o nível do Espinho no início dos sets. O aspeto mais positivo foi a entrega total de todo o plantel do clube da linha. Uma postura espetacular dentro e fora de campo.
O jogo de domingo contra o Viana considero que poderia ter sido melhor. É uma equipa que está ao nosso alcance. Com um pouco mais de rodagem e entrosamento da nossa equipa tenho a certeza que iremos ter mais sucesso e até mesmo ganhar a esta equipa no futuro. Demonstração disto foi o primeiro set que foi às vantagens.

Foi a primeira de várias jornadas duplas que este novo modelo competitivo com 15 equipas e duas fases obriga numa época em que a maioria dos atletas tiveram 6 meses sem competir. Aproveitando que acumula tarefas como treinador adjunto da equipa e a formação do Daniel em educação física, como é que se prepara uma equipa para esta maratona?

A quarentena trouxe alguns problemas a nível da condição física. Maior parte dos jogadores, tirando alguns que participaram no campeonato nacional de voleibol de praia, estiveram parados e, portanto, os índices de condição física na generalidade da equipa eram baixos. 31 de agosto foi o primeiro treino e tivemos cerca de 20 treinos até ao primeiro jogo oficial. Realizamos um jogo treino e ganhamos o torneio Cidade de Lisboa. Ter tido pouco tempo de preparação foi um problema para todos os clubes que cumpriram com o confinamento. Na minha opinião, o campeonato deveria ter começado mais tarde, dando mais tempo de adaptação fisiológica dos jogadores às sobrecargas musculares e tendinosas. Com este novo modelo competitivo e com tantas jornadas duplas é fundamental ter um plantel grande e equilibrado caso contrário haverá um desgaste enorme por parte dos jogadores, podendo estes ter algumas lesões graves. É fulcral os treinadores adaptarem os treinos durante a semana, gerindo bem as cargas e volume de saltos.

Uma das “imagens de capa” das equipas do CNG é a presença de público na bancada, sabendo que para já não está previsto o regresso do público às bancadas e que se estreiam neste domingo em casa frente à Académica de São Mamede, como está a ser não ter esse apoio nesta temporada?

Concordo com essa imagem de capa. Nos últimos anos, a presença de público nas bancadas tem crescido significativamente. Considero que a presença do público é como se tivéssemos mais um jogador em campo e contribui positivamente para o sucesso da equipa. O facto de haver pessoas a assistir aos jogos dos seniores masculinos e femininos é fundamental para os atletas da formação onde têm oportunidade de aprender e de se inspirarem para o seu futuro como jogadores. É importante também para os familiares, amigos e namoradas dos jogadores uma vez que espelha o porquê do compromisso com a equipa e com o Clube. O estar ausente de casa entre as 20.30-23.00 durante a semana e aos sábado e domingos não é de compreensão fácil para todos.

Aproveitando o tema da última pergunta pedimos que nos deixe uma mensagem para os apoiantes e adeptos que gostariam de estar na bancada nos vossos jogos, mas que as regras da DGS não o permitem para já.

A mensagem é de esperança. Devemos todos ter uma mentalidade positiva e ter fé que toda esta situação irá ser superada. O culto do medo é uma realidade e não nos devemos deixar influenciar por ela. Não menosprezando e respeitando um comportamento social adaptado à realidade, o caminho é para a frente e tudo se irá resolver.
O Clube está desejoso de vos ter a todos de volta às nossas bancadas, vivendo o jogo com toda a emoção e intensidade, tal como se fossem vocês os jogadores.

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