sexta-feira, 24 julho 2020 15:23

Entrevista Tinoco/Esteves

Leia a nossa entrevista a dupla de voleibol de praia

Depois de na semana passada termos recebido a dupla masculina de Lisboa, melhor classificada na etapa final do Campeonato Nacional de Voleibol de Praia ActivoBank 2019 chega a ver de conhecermos a melhor dupla em femininos.
Fiquem assim a conhecer as nossas rainhas da areia...

Quem são e o seu curriculo?

Nº1 – Maria Tinoco, recebe em zona 5, natural de Lisboa, com 24 anos. A Maria em termos internacionais conquistou o 17º lugar no campeonato do mundo de voleibol de praia em Sub-19 no ano de 2012, em 2013 conquistou o 23º lugar no campeonato do mundo universitário de voleibol de praia e o 4º lugar no WEVZA em sub-21. No campeonato nacional de seniores de voleibol de praia conquistou um 5º lugar em 2017 e 3º lugar em 2019.
Nº2 – Daniana Esteves, recebe em zona 1, natural de Luanda, com 28 anos. A Daniana conquistou a nível internacional um 2º lugar no ano de 2005 e um 3º lugar no ano de 2008 nos Jogos CPLP a representar Angola. A nível nacional no campeonato nacional de voleibol de praia conquistou dois 5ºs lugares em 2015 e 2017, um 4º lugar em 2016 e dois 3ºs lugares en 2018 e 2019. No voleibol de pavilhão a Daniana conquistou o título de campeã nacional da II divisão em 2015.

O voleibol de praia é um jogo em que as duas jogadoras tentam se complementar uma à outra nos seus pontos fortes e fracos. Quais são os vossos pontos fortes e fracos tecnicamente e da vossa companheira?

R 1: Os meus pontos fortes passam todos pela parte física do jogo, atacar forte, conseguir sair rápido do chão para atacar e blocar, conseguindo conjugar o ataque forte com colocação de bola o que torna o meu jogo diversificado embora não tenha um leque vasto de bolas que consiga fazer, tenho algumas o que me permite alguma variação. Um dos meus pontos fracos é o 2º toque, o passar para a minha parceira, ao longo destes anos todos tenho sempre alguma dificuldade em conseguir por a bola aceitável de forma a ser confortável para quem vai atacar. Considero a Daniana uma defesa muito completa, com uma leitura de jogo boa e bastante veloz que são as características que considero ideais para uma defensora a full-time, para alem disso é uma pessoa com uma inteligência emocional elevada o que ajuda tendo em conta que somos apenas duas pessoas dentro de campo. Achando a própria que o seu ponto fraco é não conseguir atacar forte não consigo concordar, até porque já a vi atacar com força, por isso diria que é mais a não capacidade de acreditar que é capaz de tais “proezas” de uma forma constante.
R 2: : Acredito que o meu ponto forte seja a defesa e a leitura de jogo e o fraco sem dúvida a potência no ataque, sou uma atleta muito baixinha, por isso o meu jogo é muito a base de colocação de bola/bola acelerada do que ataque forte propriamente dito. O ponto forte da Tinoco é a parte física, considero-a uma das atletas mais bem preparadas fisicamente (pelo menos no campeonato passado) que por conseguinte a faz ter um bloco muito alto e uma potência de ataque elevada. O ponto menos positivo é a precisão do segundo toque, mas assumo que é culpa minha, baixinhas precisam da bola sempre perfeita para conseguirem fazer pontos.

Vocês em 2018 jogaram em duplas diferentes, como foi em 2019 jogarem juntas? Quais foram as vantagens de jogarem juntas e os maiores desafios comparando com quem já tinham jogado?

R 1: Se essa pergunta fosse relativa ao ano 2017 diria que havia muitos desafios, tendo em conta que nunca tínhamos jogado juntas, mas como em 2019 entramos com um espírito diferente, com uma amizade mais cimentada e apenas com a intenção de jogar o nosso melhor, fez com que a época passasse muito rapidamente, olhando para trás foi um verão muito preenchido com muitas vitórias e conquistas a nível individual, tendo em conta a evolução do nosso jogo, e coletivo culminando com um 3º lugar.
R 2: Já tínhamos jogado juntas anteriormente, mas 2019 foi especial, tinha estado uma época de pavilhão parada, e a Tinoco ajudou-me muito no meu regresso ao Voleibol. A grande vantagem foi a maneira como levamos a época de praia no geral, muito leve, tranquilas, muita cumplicidade e muita diversão também. O desafio foi, como referi anteriormente, voltar a jogar voleibol e o entrosamento da dupla somando muito treino, ginásio e viagens, foi uma época muito positiva que marcou o nosso 3º lugar no campeonato nacional.

O Serviço no voleibol de praia é muito tático e muito importante para o que vai acontecer no resto do rally. Quais são os fatores que cada uma de vocês se preocupa quando vai para a linha de fundo para servir?

R 1: Os fatores variam conforme a estratégia, a estratégia varia conforme a dupla que estamos a defrontar ou pode estar dependente da meteorologia presente.  
R 2: O serviço depende sempre da estratégia que temos para o jogo em questão, essa estratégia depende de muitos fatores por exemplo: atleta com pior receção ou quando a sua dupla tem pior segundo toque, a que apresenta maior cansaço no momento, também poderão ser fatores climáticos como direção e intensidade do vento, entre outros.

Sabendo que voleibol de praia é um desporto exigente fisicamente quando e como é que cada uma de vocês começou a época de praia? E ao longo da época como foram as vossas semanas entre etapas, tanto de treino com bola como físico?

R 1: A época de praia começou logo que conversamos e concordamos em jogar juntas, antes disso foram 2 semanas de ginásio de forma a ganhar rotinas com os planos do Paulo Caldeira. Por norma os treinos dividiam-se entre parte física e treino com bola. Na areia contamos com a ajuda de Tiago Pereira, João Gallina e Paulo Caldeira, o que nos deu um volume de treino maior pois o praticante masculino de voleibol tem umas características diferentes, é mais rápido, mais forte, entre outras, o que ajudou a entrar no ritmo muito facilmente. Ao longo da época, após cada etapa íamos avaliando e discutindo o que é que sentíamos que estava a faltar no nosso jogo de forma a que os treinos pudessem ser mais direcionados. A parte física no final da época acaba por ser sempre mais leve de forma ao corpo não estar tão massacrado para estar fresco para a etapa final, por exemplo.
R 2: Como referi anteriormente, ano passado não fiz época de pavilhão, por isso a preparação para a praia foi mais cedo e também mais difícil que o normal, começando creio eu em finais de Maio. Referindo que não éramos atletas profissionais e nem patrocínios tínhamos, contamos com muita ajuda nos treinos principalmente do Paulo Caldeira, Tiago Pereira e João Galina. No início focamos muito na parte física (3 a 4 vezes por semana) e fazíamos em separado. Os treinos com bola eram realizados normalmente ao final da tarde, onde privilegiávamos a parte técnica e situação de jogo (também 3 a 4 treinos por semana). Sempre ao final de cada etapa fazíamos uma avaliação para perceber os aspectos em que estivemos menos bem com a intenção de planificar os treinos da semana seguinte.

O Voleibol de Praia é um caso raro em que os campeonatos seniores têm mais duplas masculinas do que femininas. Na vossa experiência quais as razões para isso e o que poderia ser feito para aumentar a participação das atletas nos campeonatos nacionais?

R 1: O voleibol de praia é totalmente pago por quem o joga, alojamento, alimentação, deslocação para o treino, material de treino, deslocação para a etapa, inscrição como atleta de voleibol de praia, inscrição na etapa, a acrescentar a isto, em Lisboa não existem assim tantos sítios onde é possível treinar, ou assim tantos clubes que incentivem a prática de voleibol de praia faz com que, pelo menos aqui no sul, a modalidade passe um pouco despercebida. O investimento por parte dos clubes ou mesmo da AVL de forma a que haja mais sítios onde se consiga praticar voleibol de praia e que as duplas sejam apoiadas com material ou de outra forma.
R 2: Infelizmente é verdade, cada vez mais vemos um aumento de participações no masculino do que no feminino o que contrasta com o pavilhão em que a quantidade de mulheres supera a dos homens. No meu ponto de vista seria pela dificuldade em arranjar patrocínios, participar no campeonato nacional requer muitos custos, desde despesas nas inscrições, alojamento nas etapas, transporte e alimentação. Outro aspeto seria a falta de instalações para a prática da modalidade. Se calhar a realização de mais torneios a nível regional com maior facilidade de participação ajudaria a atrair mais participantes.

As nossas entrevistas fecham sempre com uma mensagem dos entrevistados para os leitores. Como atletas de voleibol de praia o que gostavam de dizer a quem também acha que voleibol sem areia não tem a mesma emoção?

R 1: Voleibol de praia é o teste máximo às técnicas de cada jogador e a forma como encara o jogo, uma forma diferente de ver e jogar um voleibol mais tático, mais vivido por cada pessoa porque são apenas duas no campo e cada toque na bola condiciona a parceira. Voleibol de Praia é a oportunidade ideal de ser ponta/oposto/passador/central/libero, tudo no mesmo jogo.
R 2: Praia, mar, verão, voleibol. Não existe combinação melhor que essa.
Como jogador pessoalmente sentes mais pressão, mais poder de decisão e acredito que seja fisicamente e mentalmente mais cansativo que no pavilhão. Mas só quem joga percebe a emoção que é, e o ambiente que existe quando se participa nos torneios. Experimentem que não se vão arrepender.

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