quinta-feira, 16 julho 2020 22:32

Entrevista Freitas / Pereira

Leia a entrevista da dupla de praia

Com a chegada da onda de calor e com o início do campeonato LIDL 2020 as entrevistas AVL iniciam o novo ciclo de entrevistas AVL dedicadas ao tema de Voleibol de Praia e e mudamos o nosso modelo de entrevista já que iremos entrevistar os dois atletas em conjunto. Para começar este novo ciclo olhamos para o ano 2019 e para a melhor dupla na etapa final do Campeonato ActivoBank 2019 onde encontramos a dupla que ficou em 3º lugar. Fiquem a conhecer os nossos reis da areia...

Quem são e o seu curriculo?

Nº1 – Luis Freitas, 33 anos, natural de Oeiras e joga à entrada. Foi Campeão Nacional de Juniores de Voleibol de Praia em 2005, Campeão Nacional Universitário de Voleibol de Praia em 2010, esteve presente duas vezes no Europeu Universitário de Voleibol de Praia, em 2010 em Kazan, Rússia em que ficou em 9º lugar e em 2011 em Málaga, Espanha onde ficou em 13º lugar, em 2014 esteve presente nos Jogosda Lusofonia, em Goa na India onde conquistou o 5º lugar e no Campeonato Nacional de Voleibol de Praia ficou em 4º em 2013, em 2º em 2018 e em 3º em 2019.

Nº2 – Tiago Pereira, 28 anos, natural de Lisboa e joga à saida. Participou na estapa de World Tour em Espinho onde ficou em 17º lugar em 2017 e no Campeonato Nacional de Voleibol de Praia ficou em 5º em 2013, 3º em 2015, 5º em 2016, 5º em 2017, 2º em 2018 e 3º em 2019.

Vocês, já tinham jogado voleibol de praia, mas apenas em 2018 apareceram a jogar juntos no Campeonato Nacional de Voleibol de Praia e demonstraram ser uma dupla forte, que mostrou argumentos desde o início do campeonato. Quais são as razões que vêem no vosso colega que fez a dupla funcionar tão bem de início?

R 1: Fazendo um pequeno enquadramento, eu e o Tiago já nos conhecemos há cerca de 8 anos. Jogámos juntos, voleibol indoor no Clube de Voleibol de Oeiras (CVO) e fomos também colegas de voleibol de praia, mas sempre como adversários.
Ao longo dos anos, fomos criando laços de amizade, e hoje posso dizer que me identifico bastante com certas caraterísticas pessoais do Tiago. É uma pessoa de confiança, que dá valor à lealdade, e bastante fiel aos seus princípios e valores. Para mim, é essencial que numa dupla, exista esta base de confiança e amizade entre os dois elementos, e que seja refletida tanto dentro como fora do campo. Penso, que só desta maneira podemos tirar o maior partido da emoção e diversão que esta modalidade nos pode oferecer.
Já em termos desportivos o Tiago é uma pessoa muito focada, determinada e exigente consigo própria, o que faz com que as pessoas que o rodeiam tenham uma vontade extra em o acompanhar. Treinar com o Tiago, faz com que exija mais de mim, e fique mais perto do meu limite, o que faz com que a dupla fique mais perto do sucesso.
Para finalizar, e relacionando o bom desempenho da dupla às caraterísticas pessoais/desportivas de cada um, importa referir que desde o início da formação da equipa, sempre existiu um grande sentido de compromisso e responsabilidade de ambas as partes, incluindo do nosso treinador Marco Garcias. Isto significa, que era constante a comunicação e articulação entre os três, para que o planeamento fosse encarado e seguido até ao fim com todo o cuidado, rigor e profissionalismo.

R 2: Acho que ambos gostamos imenso do desporto e isso torna tudo bastante mais fácil. Ultrapassamos as grandes dificuldades que a participação obriga, quer a nível logístico, mental e físico, com bastante mais facilidade devido a esta paixão pela modalidade. Para além disso, a calma do Luís contrasta muito bem com a minha maior emotividade.

Muitas duplas têm claramente um jogador blocador, um jogador mais forte no ataque ou na receção. Quem vos viu de fora não encontrava essa diferença já que no mesmo rally trocavam facilmente de função sem perder eficácia. Mas o que é que cada um prefere fazer e onde acham que o vosso colega é mais forte que vocês?

R 1: É um facto que uma das fortes caraterísticas da nossa dupla é a versatilidade. No entanto, a função que mais gosto de desempenhar é de blocador, isto porque durante toda a minha formação de voleibol de praia executei esta tarefa.
Relativamente às potencialidades do Tiago, acredito sinceramente, que é um atleta bem mais completo do que eu, seja em que fundamento for. Desde a defesa, bloco, ataque, etc.

R 2: Sinceramente eu prefiro defender, mas sempre foi difícil arranjar um bom blocador com quem pudesse fazer dupla. O Luís é um bom blocador e acho que não tem grande preferência por uma das posições. O Luís é muito bom a ler o jogo e a interpretar os momentos do jogo. Eu sou um jogador muito explosivo e muito físico e acho que utilizo esses aspetos bem no meu jogo.

Vocês, tal como a maioria das duplas em Portugal, não eram profissionais de voleibol de praia. Quando começaram a preparação individual e coletiva, tanto no trabalho físico como o próprio trabalho técnico com bola, nesses dois anos para a época de praia?

R 1: Como a questão menciona, e bem, não fomos atletas profissionais de voleibol de praia, isso fez com que os sacrifícios que fizemos ao longo desses dois anos fossem ainda maiores. Apesar de tudo, encarámos todo o processo de planeamento de forma rigorosa, pois só assim poderíamos aspirar a obter bons resultados.
Relativamente à preparação, em termos físicos foi um trabalho feito ao longo do ano por parte dos dois. No meu caso, entre setembro a abril realizei um trabalho físico numa perspetiva de manutenção, visto que durante a época de indoor joguei no campeonato de INATEL (um jogo por semana, sem treinos). Já o Tiago, como atleta profissional de voleibol de indoor fez um trabalho virado para a vertente competitiva, muito mais exigente.
Entre os meses de abril e maio iniciamos a nossa preparação para época de praia. Em termos físicos o trabalho é feito sempre de forma individual (cada um, treina em ginásios diferentes), já em termos técnicos e táticos, o trabalho é sempre realizado em conjunto.

R 2: Eu sou atleta profissional de voleibol indoor e costumo aproveitar este campeonato para me manter bem fisicamente. O Luís já utiliza o desporto mais como um hobby. O trabalho físico é sempre feito por ambos em ginásios ou zonas de exercício, mas sem qualquer ligação entre os dois. O trabalho com bola vai acontecendo naturalmente semana a semana, assim que eu chego a Portugal.

Vocês ao longo das duas épocas tiveram sempre treinador pois foram acompanhados pelo professor Marco Garcias. Algo que a maioria das duplas não tem e vocês já jogaram em duplas sem treinador. Pela vossa experiência, como foi importante ter a presença de alguém de fora?

R 1: Pela minha experiência, ter um treinador, alguém que nos oriente durante todo este processo, é fundamental para se ter um bom desempenho. Esta é uma das sugestões que dou a todas as duplas, sobretudo às mais jovens. Se querem ter progressos na modalidade e consequentemente bons resultados, têm de investir num treinador.
Relativamente ao Marco, para além de nosso treinador é acima de tudo nosso amigo. É uma pessoa que já nos conhece bastante bem o que facilita todo o processo de trabalho.
O Marco é uma pessoa que já me acompanha há bastante tempo, sempre fiz questão de contar com a presença dele em todas as duplas que tive, pois, sei da sua qualidade e do compromisso que assume perante o projeto. É uma pessoa muito dedicada, com um enorme conhecimento sobre a modalidade, e que investe tempo e dinheiro na sua formação.
O Marco, é um treinador que não só nos acompanha durante os treinos, assim como durante praticamente todas as etapas. É importante, termos o treinador connosco durante as competições, pois transmite-nos tranquilidade e acima de tudo racionalidade.
Sem sombra de dúvidas que foi um elemento chave no bom desempenho da nossa dupla.

R 2: É importantíssimo ter alguém de fora, que dê feedbacks, que nos dê ritmo no treino, basicamente que nos ajude. O Marco foi sempre peça fundamental na nossa dupla. Para obtermos bons resultados é preciso mais que simplesmente ir para a praia jogar. É preciso treino específico para as diferentes ações e momentos do jogo.

Ao longo dos dois anos, 2018 e 2019, um dos jogos de maior interesse era sempre a dupla Freitas / Pereira frente à dupla Roberto Reis e Fabrício Silva (Kibinho) e acabaram sempre por ser a dupla que vos afastou do título nacional nos dois anos (Final de 2018 e Meia-Final de 2019). Como cada um de vocês viram esses confrontos?

R 1: Felizmente para nós, e também para bem da modalidade, nas últimas épocas, o campeonato de voleibol de praia teve inúmeros jogos de interesse, cheios de emoção, competitividade e de incerteza de resultado. Estes momentos, fazem com que a modalidade possa vir a ganhar espaço de atenção, dentro e fora da comunidade do voleibol, pois desperta sentimentos e emoções.
Durante as épocas 2018 e 2019, disputámos vários jogos com grandes duplas, que nos deram imenso gozo e prazer em participar neles. Naturalmente que os jogos contra o Roberto e o Kibinho, tinham sempre um grande teor de interesse, sobretudo do nosso ponto de vista, pois são uma dupla de referência, não só por já terem sido 8 vezes campeões nacionais (julgo eu) assim como a qualidade que apresentam ano após ano.
Relativamente, aos jogos que nos afastaram do título, recordo com nostalgia e um pouco de amargura o jogo da final de 2018, pois tivemos muito perto de alcançar um grande objetivo, mas infelizmente não chegou. No entanto, sentimo-nos bastante orgulhosos pelo trabalho que realizámos durante estas duas épocas.

R 2: Não havia um sentimento diferente por jogarmos contra o Roberto e Kibinho, para além do facto de normalmente esse encontro  ser em fases adiantadas da prova e por isso já com um nervosismo e ansiedade superior ao normal. Sobretudo no ano de 2018 a derrota foi um bocado difícil de digerir, porque de facto estivemos muito perto. Mas é o desporto, não podem ganhar todas as duplas. É preciso é saber aproveitar e desfrutar dos momentos.

Fechamos sempre com uma mensagem para os leitores, muitos deles esquecem-se mais vezes da toalha ou dos chinelos do que da bola de volei cada vez que vão para a praia.

R 1: Não é segredo para ninguém que a minha modalidade de eleição é o voleibol de praia, e que sou da opinião, que esta modalidade tem um grande potencial ainda por ser explorado em Portugal.
Esta modalidade já me acompanha desde os 13 anos, e a mensagem que quero transmitir é apenas que se divirtam. Este é o principal motivo de todos nós jogarmos voleibol de praia, ele desperta um sentimento de diversão e bem-estar. Joguem muito, joguem sempre que tiverem oportunidade, quanto mais tocarem na bola mais interessados e motivados vão ficar.
Para todos aqueles que queiram levar esta modalidade um pouco mais a sério, sugiro que recorram a um treinador. É fundamental para a nossa evolução termos alguem que nos oriente e nos faça as correções nos momentos certos. Acreditem que com o auxílio de um treinador e com muito trabalho realizado estarão mais perto do sucesso.

R 2: Experimentem o voleibol de praia. É um desporto brutal e normalmente proporciona excelentes ambientes. Não se vão arrepender.

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